segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Esporte, Saúde e Estética: Em busca do “Belo Corpo”
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Novo Prefeito, nova ameaça...
Com a posse do nosso novo Prefeito iniciamos uma nova fase. Confesso que estou um pouco cauteloso, não acreditando em melhorias, principalmente em uma era de crise mundial que se inicia. Como primeira medida nosso prefeito confirmou a promessa de campanha e terminou com o sistema de ciclos a partir do 4º ano, acatando o desejo de quase a totalidade dos professores e de boa parte da sociedade. Ficou prometido para o início do ano o pacote de normas educacionais que regulamentarão o ensino.
Ouvi uma especulação que a Secretária de Educação pretende "gratificar" os professores da rede cujas escolas tiverem uma aprovação significativa. Lembrando imediatamente do texto anterior, imaginei que esta é uma manobra para tentar manter as verbas e benefícios federais, já que a aprovação não será "automática". Ao pagar um prêmio pelo número de alunos aprovados, meu medo é que os professores acabem por ceder ao chamado da realidade e façam o que os governantes querem, ou seja, aprovação em massa e dinheiro no bolso...
E os nossos alunos? Pergunto novamente. Vão continuar sendo enganados e "roubados" descaradamente por um sistema que mascara e impede que tenham acesso a uma verdadeira e digna educação? Vamos esperar as novas medidas e analisá-las com muito cuidado.
O fim do sistema de ciclos tão rapidamente, em um ano de crise, com a prefeitura anunciando corte de 30% em todas as secretarias não são medidas coerentes com uma que refletirá na diminuição das verbas do governo federal. Um prefeito que só fala em cortes e aumento da arrecadação não vai deixar isso tão barato. Acho que alguma manobra vai aparecer por aí... afinal na política ninguém é santo e muito menos bobo e essa "conta" pode acabar na mesa dos professores e dos alunos mais uma vez.
Abram os olhos!!!
Abraços a todos.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
A Educação no Rio de Janeiro – Ponto de partida para nossas discussões
Atualmente diversas são as reportagens veiculadas pela imprensa criticando os modelos e resultados da educação fundamental no Brasil e especialmente no Rio de Janeiro. O alvo das críticas é o sistema de ciclos e a aprovação automática e, em quase em sua totalidade, citam a responsabilidade dos professores no processo. Faremos uma análise das responsabilidades em cada nível tentando construir uma imagem mais real do estado da arte da educação fundamental no Rio de Janeiro.
O sistema de ciclos, originalmente utilizado na Europa, defende a continuidade do ensino e o acompanhamento do aluno na mesma turma por três anos, quando seria feita uma avaliação e, aí sim, a retenção ou não dele para o próximo ciclo.
No Brasil este sistema foi implementado sem a infra-estrutura necessária já que não temos professores nem em número e nem com treinamento suficiente para tal e as condições estruturais e logísticas são precárias além das turmas superlotadas com
Venho aqui propor então uma discussão acerca desse processo já que em minha prática diária o que percebo é que muitos professores parecem ser os únicos realmente preocupados com a aprendizagem do aluno. O Governo, a Secretaria de Educação, a Direção, os pais e principalmente os alunos não demonstram nenhum comprometimento com o aprendizado, mas sim com o cumprimento das metas estatísticas, com as bolsas de incentivo e com a aprovação, ficando todo o conteúdo a ser fixado pelo aluno em terceiro ou quarto plano.
Temos um Governo Federal preocupado com as estatísticas, concedendo incentivos financeiros aos estados e municípios baseados no número de crianças matriculadas e aprovadas no período. Por sua vez os estados e municípios criam mecanismos que possibilitem o aumento dessa receita, seja cada vez mais facilitando as aprovações, ou mesmo utilizando-se de meios ilícitos como a matrícula dupla criando listas de “alunos fantasmas”. Ou seja vivemos em um grande mundo de faz-de-conta, no qual os grandes prejudicados acabam sendo os alunos que cada dia aprendem menos, ficando fora do mercado de trabalho e sem oportunidades para que a grande farsa da melhoria da educação seja mantida.
As CREs e a Direção das escolas ficam pressionadas pelos governantes a fazerem cumprir tais metas, sendo obrigadas a concordar e fiscalizar essas práticas e empurram a responsabilidade para os professores que são os pontos finais das linhas e que, sem opção, cumprem o determinado pelos patrões.
Os alunos, por sua vez, fazem o que sempre fizeram, em sua ampla maioria rendem o que é necessário para serem aprovados, deixando passar muitas vezes em branco esses preciosos anos destinados à sua educação. Mas se quando havia um mínimo determinado para a aprovação já era difícil para a escola fazer com que eles aprendessem e se interessassem por algo mais, além das notas, hoje em dia com a certeza da aprovação a escola passa a ser um grande clube destinado à vida social e à alimentação.
Aos pais, os quais já são fruto de uma geração que viveu uma escola em decadência e que não a tem como referência, cabe o papel que se repete ano a ano, de omitir-se e negligenciar durante todo o período letivo o acompanhamento dos estudos de seu filho. Quando chega o dia da entrega do boletim final, ainda vem contestar o professor que mesmo sendo obrigado a passar seu filho, deu-lhe uma nota baixa, fruto do seu aproveitamento nas avaliações.
E os professores? Santos ou demônios desse processo? Se por um lado as críticas de descaso e falta de interesse podem ter algum fundamento em casos isolados, o que percebo durante o ano é uma classe esgotada, desprestigiada, mas ainda assim única no ambiente escolar preocupada com o aluno e com o seu aproveitamento.
Diariamente participo de discussões, que mesmo não contando com todos, sensibilizam uma boa parte, sobre novas metodologias e estratégias para estimular o interesse dos que nada querem, ou de criar mecanismos de avaliação que entendam a forma de pensar do aluno, e que se pensarmos bem de nada vale pois mesmo que não aprenda nada (e quando digo nada é nada mesmo, pois temos alunos no 6° e 7° ano que não sabem ler nem escrever nada além do nome ou os analfabetos funcionais, estes presentes até o ensino médio) ainda assim vão progredir de série e como não podem ficar retidos no mesmo ciclo mais de uma vez, avançarão até o final dos seus estudos, terminando com um grande vazio intelectual ao final dos 9 anos do ensino fundamental.
Fazemos parte de uma classe que ainda trabalha baseada no pensamento de glamour de décadas passadas onde o professor era tratado com respeito, mas que hoje em dia só existe entre nós pois toda a sociedade nos vê como “babás de luxo” ocupando o tempo livre dos filhos enquanto trabalham ou passeiam pelos shoppings.
Minha preocupação com tudo isso continua sendo com o aluno da escola pública, já que os filhos dos que determinam essas medidas estão recebendo uma educação tradicional e com muita exigência, qualidade e atenção nos colégios particulares da elite carioca ou estudando nos CAPs e Escolas Federais e fazendo cursinhos preparatórios. Qual o sentimento de vocês?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Começando a conversa...
Após um certo tempo de resistência acabei aceitando a idéia do blog, sempre incentivado pelo professor e amigo Serjão, companheiro desde o ensino médio e com quem trabalhei por mais de 15 anos no Colégio Lemos de Castro em Madureira.
Publicarei a partir de agora alguns textos e reflexões que já utilizo com minhas turmas para que possamos juntos enriquecer o debate da Educação Física Escolar, buscando soluções para os desafios encontrados no nosso dia a dia. Tenho também a intenção de utilizar este espaço diretamente para disponibilizar o material didático para minhas turmas. Vamos ver o que será ou não possível.
Buscarei com os textos provocar o debate. As exposições serão intencionalmente críticas para que a reação do leitor seja imediata.
Na Educação Física, assim como em outras áreas do conhecimento somos levados muitas vezes a análises descontextualizadas, imagens fotográficas da ação que julgam e condenam o que vêem sem entretanto apontar ou executar ações que solucionem ou auxiliem na proposta. Vamos então utilizar este espaço para reflexões que nos levem à ações práticas. A Educação Física precisa transformar o pensamento teórico em realidade física, real, adequada e relacionada ao nosso cotidiano.
Em breve começaremos a conversar. Por enquanto, um forte abraço a todos.